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Um ano após perder 1% da população, Brumadinho ainda busca por corpos e justiça

22 janeiro 2020 - 14h16Por Gracielly Bittencourt - EBC

Era início da tarde de uma sexta-feira quando as primeiras notícias do rompimento da Barragem B1, em Brumadinho, começaram a chegar.

A mineradora Vale, que operava a barragem, estava mais uma vez no centro de um desastre ambiental e humano de incalculáveis proporções.

E a cidade de Brumadinho, antes conhecida por abrigar o museu a céu aberto de Inhotim, agora surgia nos noticiários como o lugar onde aconteceu uma das maiores tragédias da história da mineração.

Há um ano, a vida em Brumadinho mudou completamente. A cidade perdeu 1% da sua população. E muitas pessoas ainda lutam para enterrar seus parentes. É o caso de Natália de Oliveira, que ainda não encontrou a irmã Lecilda.

“A cada sepultamento é como se a gente voltasse naquela data. Porque quando acha um corpo, que tem um caixão, você consegue eternizar que teve uma morte. Então a gente vive essa expectativa no dia a dia. Eu vigio o telefone. No meu trabalho eu já avisei que eu não fico sem atender, porque é a notícia mais triste, mas é a mais esperada”.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, as buscas nas áreas da tragédia continuam até encontrar os 11 desaparecidos. O sargento Juscelino Gonçalves está na corporação há 29 anos, e diz que essa foi a operação mais importante da carreira dele.

“O evento em si é triste, mas nós conseguimos perceber a dimensão dessa operação, que vem caminhando vitoriosa até aqui. É uma operação que marca minha carreira profundamente e, eu tenho certeza, de todos aqueles bombeiros que passaram por aqui. Quase 4 mil bombeiros de Minas Gerais e de outros estados do Brasil foram marcados pela dimensão, pela amplitude, pela carga emocional, pelo envolvimento emocional, pelas pessoas que aqui estão, pelos colaboradores, pelas gentilezas que nós recebemos aqui”.

Talita Cristina só sobreviveu porque foi resgatada por moradores com ajuda de um helicóptero do corpo de bombeiros. A jovem ainda se recupera das lesões.

“Que a Vale tenha mais responsabilidade nas coisas que ela faz. Que em vez de pensar no dinheiro, pensa nas pessoas que foram soterradas por aquela lama. Que aquilo não foi um acidente, não. Foi um crime”.

Para os crimes ambientais de falsificação de documentos, a Polícia Federal indiciou 13 pessoas. O delegado da Polícia Federal Luiz Augusto Pessoa afirmou que investigações sobre as mortes ainda estão em andamento.

“Até onde nós pudemos apurar é a primeira barragem de resíduos minerais inativa que se rompe no mundo. Isso é um dos fatores que complica a descoberta do que provocou a liquefação. Mas a gente está trabalhando com a hipótese de que esse laudo nos seja entregue em junho de 2020”.

A Vale informou, em nota, que divulgou um relatório com as conclusões de quatro especialistas sobre as causas técnicas do ocorrido. A mineradora afirmou que o rompimento da barragem ocorreu de forma abrupta e sem sinais aparentes que pudessem ser detectados pelos instrumentos de monitoramento.

As famílias contabilizam 272 mortos. Um ano depois, elas cobram justiça e tentam conviver com uma dor que não passa.

 

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