O mês de julho de 2026 deve fugir do padrão climatológico no Sudeste brasileiro, com previsão de frio intenso nos próximos dias e volumes de chuva acima da média para o período em parte de Minas Gerais. A análise foi apresentada pelo meteorologista Ronaldo Coutinho, da Climaterra, em participação no programa Tempo&Dinheiro.
Apesar do alívio momentâneo provocado pela umidade em pleno inverno, o alerta principal está voltado para o fim do ano. Segundo Coutinho, o período entre setembro, outubro, novembro e início de dezembro pode ser marcado por forte irregularidade nas chuvas no Brasil Central e no Sudeste, cenário que exige atenção dos produtores rurais no planejamento da safra de verão.
No curto prazo, a previsão indica a chegada de uma forte massa de ar polar ao Centro-Sul do país, com queda acentuada nas temperaturas ao longo desta semana. Em Minas Gerais, as menores marcas devem ser sentidas principalmente no Sul do estado e no Triângulo Mineiro, regiões que podem registrar declínio térmico significativo.
O frio mais intenso deve ficar concentrado na Serra Catarinense, onde há possibilidade de mínimas negativas mais expressivas. Mesmo assim, o avanço da massa polar também pode favorecer a formação de geadas no Sul de São Paulo e provocar queda de temperatura nas áreas de divisa com Minas Gerais.
O ponto que mais chama atenção na previsão é a possibilidade de chuva atípica para julho, mês que historicamente está entre os mais secos do ano em Minas Gerais. A mudança no padrão atmosférico deve ganhar força a partir do próximo fim de semana, especialmente entre os dias 11 e 12 de julho.
De acordo com os mapas de anomalia apresentados por Ronaldo Coutinho, a tendência é de umidade acima da média climatológica em quase todo o território mineiro e também no centro do país. O meteorologista destacou que, para julho, “o que vier é lucro”, mas reforçou que essa condição não deve ser interpretada como garantia de regularidade para os meses seguintes.
A maior preocupação está no comportamento das chuvas a partir de setembro. Conforme a análise divulgada, o início do mês pode até indicar uma tentativa de regularização, mas a tendência para o fim de setembro, outubro, novembro e começo de dezembro é de um possível “corte” na umidade.
Esse cenário aumenta o risco de veranicos longos, com períodos prolongados de calor e ausência de chuva. A condição pode afetar diretamente o planejamento agrícola em Minas Gerais, especialmente no Triângulo Mineiro e em áreas do Sudeste ligadas à produção de grãos, café e outras culturas de verão.
“O pessoal tem que ficar muito atento no plantio da safra de verão. Não está indicando chuvas boas para o Brasil Central e Sudeste”, alertou Ronaldo Coutinho durante a previsão divulgada pelo Tempo&Dinheiro.
Enquanto a Região Sul do país deve enfrentar um cenário de excesso de água, Minas Gerais e o Centro-Oeste podem lidar com uma situação oposta, marcada por maior irregularidade nas precipitações. Para os produtores, a recomendação é acompanhar as atualizações meteorológicas e avaliar com cautela o momento mais adequado para o início do plantio.
O cenário reforça a importância do monitoramento climático e do planejamento no campo, principalmente em regiões onde a janela de plantio depende da reposição de umidade no solo. Em um ano com sinais de comportamento irregular das chuvas, decisões antecipadas podem ajudar a reduzir riscos para a safra de verão.