Prisão do "Lula"

Prisão do "Lula"

Por Carlos Carvalho 20/04/2018 - 17:53 hs

Nos dias que precederam a prisão do Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fiquei na expectativa da repercussão que seria gerada, para então escrever esse artigo. Eu imaginava que seria o acontecimento mais bombástico da história política do Brasil. Visualizei passeatas com milhões de pessoas pelas ruas, em comemoração ou em protesto, confrontos de militantes dos partidos de esquerda com a polícia, inúmeras matérias na impressa, reações de políticos, pensadores, opositores e companheiros, enfim um acontecimento para abalar as estruturas políticas do País.

Mas nada disso aconteceu. Ocorreram pequenas manifestações, como fechamento de rodovias, miúdos protestos em algumas capitais, e a vigília de um pequeno grupo de militantes e correligionários na sede do Sindicato dos Trabalhadores do ABC Paulista, em apoio a desobediência de uma ordem judicial (para eles resistência), do Ex-Presidente. Até mesmo a vigília dos militantes do MST na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso, já foi encerrada.

Qual o significado dessa inexpressiva reação dos brasileiros? A mensagem é clara: para a maioria esmagadora dos brasileiros o assunto “Lula” não tem mais a menor importância, não desperta interesse! A sua prisão não muda nada em suas vidas! Todos estão mais interessados e preocupados com o futuro do País, sobre quem será o próximo presidente, e como os políticos irão conduzir o combate a corrupção.

Em minha opinião a prisão de Lula, pelo fato relevante de ser um Ex-Presidente da República, será um marco no combate à corrupção em nosso País, e na construção do Brasil que todos nós desejamos. Mas o caminho do combate à corrupção será longo e difícil. O primeiro passo deverá ser o fim ou limitação do “Foro por prerrogativa de função”, também conhecido por “Foro Privilegiado”. E vejam por que: nos últimos 27 anos, o número de parlamentares que foram investigados ou respondem por ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) ultrapassou 500 pessoas. Mas apenas 16 foram condenados por corrupção, lavagem de dinheiro ou desvio de verba pública. Desses, oito cumpriram (ou cumprem) pena, três recorreram e outros cinco tiveram os crimes prescritos. Entre os que foram considerados culpados, apenas o ex-deputado Natan Donaton continua preso. Ele foi o primeiro parlamentar a ter prisão decretada pelo STF desde 1988. Hoje ele cumpre pena de 13 anos por ter desviado recursos da Assembleia Legislativa de Rondônia.  Outros quatro seguem em prisão domiciliar: Asdrubal Bentes (PMDB-PA), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Atualmente 171 parlamentares são investigados no Supremo Tribunal Federal. Desses 141 são deputados e os restantes senadores. Outros ainda serão investigados, como por exemplo: o Senador Aécio Neves.

Na contra mão dos inexpressivos números do Supremo Tribunal Federal estão os expressivos resultados da Operação “Lava Jato”, na Justiça Federal onde são julgadas as pessoas sem o “Foro Privilegiado”. Em apenas três anos 1765 procedimentos foram instaurados; 328 pessoas foram denunciadas; 123 já estão condenados; 198 prisões, entre preventivas, flagrantes e temporárias foram efetivadas; e 10,1 bilhões de reais recuperados ou em processo de recuperação. Sem o “Foro Privilegiado” esses números seriam ainda maiores!

Uma ferramenta de grande poder para o combate à corrupção está nas mãos do eleitor: “o voto.” Através do voto nós podemos promover uma “faxina política”. E ao contrário do que muitos pensam, é simples! Analise a conduta do seu candidato, e busque informações sobre investigações ou processos na justiça! Não vote em candidatos com histórico de corrupção. Vote em candidatos sérios, honestos, competentes e que se comprometam com o combate à corrupção. Se extirparmos da política nacional os maus políticos, estaremos dando uma contribuição importantíssima na construção de um futuro melhor para nossos filhos e netos. Pense nisso!