A Associação Mineira de Municípios (AMM), em atuação conjunta com o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) e o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), participou das articulações que resultaram em acordos entre municípios mineiros e a Caixa Econômica Federal. A medida prevê a devolução de aproximadamente R$ 17 milhões desviados de contas de prefeituras por meio de golpes cibernéticos.
A assinatura foi realizada durante uma reunião promovida na quarta-feira (29) pela AMM, pelo TCEMG e pelo TRF6. De acordo com a Associação, os acordos permitirão a restituição dos recursos aos cofres municipais após serem aprovados, formalizados e homologados judicialmente.
Até a data da divulgação, haviam sido celebrados 11 acordos, enquanto outras sete audiências de conciliação estavam marcadas para agosto. A expectativa é de que os pagamentos referentes aos acordos homologados sejam realizados até o fim do mês.
Os valores deverão recompor integralmente as contas bancárias municipais, com correção pela taxa Selic.
A reunião contou com a participação do presidente da AMM e prefeito de Iguatama/MG, Lucas Vieira; do presidente do TCEMG, Durval Ângelo; do gerente jurídico da Caixa em Minas Gerais, Bruno Rodrigo Ubaldino Abreu; e do coordenador jurídico da instituição, Mauro Sanábio Silva Pereira.
Também participaram os desembargadores federais do TRF6 Álvaro Ricardo de Souza Cruz e Miguel Ângelo de Alvarenga Lopes. Durante o encontro, os representantes informaram aos gestores municipais sobre os desdobramentos dos acordos e os próximos procedimentos relacionados à devolução dos valores.
Segundo o presidente do TCEMG, parte significativa dos recursos desviados estava vinculada ao setor da Saúde. A negociação entre as instituições possibilitou o encaminhamento de uma solução para o ressarcimento dos municípios prejudicados.
Assinaram acordos durante a reunião os seguintes municípios:
A atuação conjunta das instituições busca garantir a recuperação dos recursos públicos e ampliar a segurança das contas bancárias mantidas pelos municípios.
As primeiras articulações para tentar recuperar os valores ocorreram depois que prefeituras mineiras identificaram invasões e movimentações indevidas em contas bancárias. Em agosto de 2025, prefeitos dos municípios afetados participaram de uma reunião na sede da AMM, em Belo Horizonte/MG, com um representante da Caixa.
Em setembro do mesmo ano, um grupo de prefeitos participou de uma nova reunião com a direção da instituição financeira, em Brasília/DF. O objetivo era iniciar uma negociação extrajudicial para ressarcir as prefeituras prejudicadas.
Segundo a AMM, os ataques tiveram como alvo principalmente municípios com população entre 3 mil e 21 mil habitantes, que dependem de transferências da União e de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O prejuízo total ultrapassou R$ 17 milhões.
A Caixa também se comprometeu a oferecer capacitação aos servidores municipais para reforçar os procedimentos de segurança e reduzir o risco de novos ataques.
A AMM orientou as prefeituras a reforçarem a preparação das equipes e a utilização dos mecanismos de proteção disponíveis. Entre as medidas recomendadas estão:
Em caso de vazamento ou invasão, a orientação é isolar os sistemas afetados, acionar os setores de Tecnologia da Informação e Jurídico, comunicar a instituição bancária, registrar um boletim de ocorrência e informar o fato à população de maneira clara.
Mais informações podem ser consultadas na publicação da Associação Mineira de Municípios. A entidade também divulgou informações sobre as audiências de conciliação relacionadas aos golpes.
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