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Hospital brasileiro usa pele de tilápia para tratar queimaduras

15 janeiro 2020 - 17h54Por O Fluminense

O Hospital Municipal Souza Aguiar é o primeiro hospital do Estado do Rio a utilizar a pele de tilápia no tratamento de queimaduras.

O produto, que já foi destaque em séries de TV como “Grey’s Anatomy” e “The Good Doctor”, começou a ser utilizado em dezembro passado no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) da unidade, como parte do estudo multicêntrico liderado pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Duas pacientes com queimaduras graves foram tratadas logo no primeiro mês com a pele do peixe de água doce, e apresentaram cicatrização mais rápida e com menos queixas de dor.

O Souza Aguiar é um dos hospitais brasileiros que participam da parte clínica do estudo, desenvolvido desde 2014 pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da UFC, dentro das normas do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa.

A pele da tilápia passa por um processo de preparo e desinfecção que inclui exposição a raios gama (radiação). Em 2019, o material foi apresentado ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o ministério informou que, após receber a licença definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ele poderá ser utilizado para o tratamento de queimaduras em todo o SUS.

"A pele de tilápia é um curativo biológico e tem apresentado resultados terapêuticos melhores até do que a pele de cadáver. O material é hidratado e aplicado diretamente sobre as queimaduras, sem a necessidade de pomadas ou outros insumos. Conforme as lesões vão cicatrizando, a pele de tilápia vai se soltando.

Os pacientes relatam coceira neste período final, o que é uma reação típica do processo de cicatrização", explica a chefe do CTQ do Hospital Municipal Souza Aguiar, a cirurgiã plástica Irene Daher.

Rica em colágeno, resistente e elástica, a pele de tilápia auxilia na cicatrização de queimaduras de diferentes níveis. A atadura tampona toda a ferida, vedando e aderindo como se fosse uma cola, podendo permanecer no local por vários dias.

Com isso, reduz os riscos de infecção, evita a perda de líquidos dos tecidos e também diminui a dor do paciente, que é inevitável no tratamento tradicional das queimaduras, com curativos feitos de gazes e pomadas e que normalmente devem ser trocados no máximo a cada três dias.

O curativo com a pele de tilápia é trocado somente a cada 10 dias, reduzindo, além do sofrimento do paciente, o custo do tratamento em até 50%.

No Hospital Souza Aguiar, inicialmente a pele de tilápia está sendo usada em pacientes com escaldaduras provocadas por água fervente em até 30% do corpo.

Duas pacientes dentro desses critérios, com queimaduras de 2º grau, foram tratadas ainda em dezembro. Uma delas se acidentou no dia 15 e, com 15% do corpo queimados, só pôde passar o Natal em casa graças à pele de tilápia.

Com o tratamento tradicional, precisaria ficar internada para trocar os curativos diariamente. A segunda paciente sofreu escaldadura em 25% do corpo enquanto preparava a ceia de Natal, no dia 24, e apesar da gravidade dos ferimentos, se recuperou satisfatoriamente.

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