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Baleiro de BH conhecido como Lula choca ao comemorar morte de jornalista: ‘Um desgraçado a menos’

11 julho 2019 - 09h46Por BHAZ

Quem passou pela rua Carandaí, próximo ao Instituto de Educação de Minas Gerais (Iemg), na região central de Belo Horizonte, na tarde desta quarta-feira (10) se deparou com uma forte mensagem de ódio destinada ao jornalista Paulo Henrique Amorim, que morreu horas antes, nesta manhã.

O baleiro José Cordeiro, de 60 anos, colocou a seguinte mensagem fixada em seu carrinho de balas: “Comunista bom é comunista morto. Morreu um jornalista de esquerda. Que bom, um desgraçado a menos para falar mal do Bolsonaro”.

A mensagem, destinada a Paulo Henrique Amorim, o jornalista que faleceu aos 76 anos e que se mostrava crítico ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), incomodou quem passava pela região, devido ao ódio e à intolerância despejados.

Ao tomar ciência da imagem, a reportagem do BHAZ foi atrás do baleiro na noite desta quarta. Quando chegamos na região, ele já havia ido embora. Pipoqueiros no local indicaram que o senhor José Cordeiro possivelmente estaria um estacionamento, também na região hospitalar.

Eis aí uma ironia da vida: José é conhecido na área onde vende suas balas como Lula, por conta da sua voz (muito) semelhante com a do ex-presidente petista (escute abaixo). Dentro do estacionamento, Lula foi cordial e conversou cerca de 30 minutos conosco. Uma entrevista dividida por uma grade, já que o acesso escolhido pelo baleiro era bem mais tortuoso.

José Cordeiro explica o que motivou placa com mensagem de ódio (Rafael D’Oliveira/BHAZ)

Questionado, Lula explicou que a placa “foi uma provocação filosófica”. “Isso aqui é um protesto para o pessoal da mídia acordar e pôr na cabeça que o Brasil é de todo mundo. Não adianta ficar reclamando e falando mal do Bolsonaro. Precisam acordar”, afirma.

Perguntado sobre o excesso de ódio na mensagem e se ele se arrependia da mensagem, o baleiro ficou pensativo por alguns instantes e respondeu que “não foi por ódio”.

“Só um ignorante vai por esta placa no contexto do ódio. Quem for sábio, vai por essa placa aqui como um protesto e um alerta para o jornalista. É um pedido para que os jornalistas trabalharem em prol da sociedade. É mais filosofia, não é pro lado do ódio não, é para mexer com os jornalistas. Todo mundo que maltrata o Bolsonaro, maltrata o nosso voto. Ficam nos chamando de burro”, diz.

Sobre a figura de Paulo Henrique Amorim, o baleiro diz que desconhece a história do jornalista. “Não conheço ele, não sei onde ele mora, não tenho nada contra ele. No mês passado ele falou mal do Bolsonaro e a Record cortou ele. Aí eu te pergunto, por que a mídia está batendo no Bolsonaro? Eles não podem dar opinião subjetiva, tem que pensar na coletividade, o Bolsonaro foi eleito tem que respeitá-lo e torcer para que ele faça um bom governo”, ressalta o baleiro.

Sobre a possibilidade de se desculpar por conta da forte mensagem, José releva e volta a afirma que “só foi um protesto, não tenho ódio contra ninguém”, diz.

Baleiro vai escrever nova mensagem nesta quinta, desta vez sobre Previdência (Rafael D’Oliveira/BHAZ)

Quem é Lula, o baleiro

José Cordeiro, o baleiro conhecido como Lula, vende balas na área hospitalar há 30 anos. Ele conta que sempre escreve mensagens em seu carrinho de bala. “Amanhã a mensagem será para as professoras que são contra a reforma da previdência”, adianta.

José mora sozinho no bairro Tupi, na região Norte de Belo Horizonte. Ele não é casado e não tem filhos. “Fui criado na Febem – antiga Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor e atual Fundação Casa – porque a minha mãe veio do interior para Belo Horizonte com três filhos e nós morávamos na rua. Me tiraram da minha mãe e me levaram para o internato. Apanhei, sofri muito, mas virei homem. Sempre corri atrás”, afirma.

Lula diz que, “apesar de ser pobre”, está no campo político da direita ponderada. “Votei no Bolsonaro porque precisávamos sair do campo da extrema esquerda”.

Rafael D’Oliveira/BHAZ

O baleiro se define como semianalfabeto, mas garante que lê um livro por mês. Antes da reportagem ir embora, ele mostrou um exemplar do livro “Riqueza das Nações”, assinado por Adam Smith. “Vou ler esse e depois ler Karl Marx, para tirar minhas conclusões”, afirma.

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