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Belorizontina: o que já se sabe na investigação de doença ligada à cerveja

13 janeiro 2020 - 09h22Por Gabriel Ronan - Estado de Minas

Uma semana se passou desde a primeira manifestação das autoridades de saúde sobre a internação de pessoas  ligadas ao Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, com quadro de insuficiência renal e problemas neurológicos e já há resultados parciais das investigações epidemiológica e policial sobre o caso.

As autoridades encontraram a possível causa dos sintomas – substância química encontrada em garrafas da cerveja Belorizontina, fabricada pela Backer, e até um protocolo clínico de saúde para tratamento da síndrome nefroneural que acomete os pacientes foi definido. Mas questões sobre como ocorreu a contaminação da cerveja pairam no ar. A Polícia Civil não trabalha apenas com a possibilidade de falha na produção da Backer – única marca relacionada aos casos até agora. 

Nada, nem mesmo a possibilidade de sabotagem, está descartado. Falhas em outras etapas do processo da cerveja dentro da fábrica, além crimes ou erros cometidos por fornecedores ou distribuidores são hipóteses no caminho da Belorizontina entre a fábrica e o consumidor.

CONTAMINAÇÃO

Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira (13) que a perícia encontrou monoetilenoglicol e dietilenoglicol em elementos da produção da cerveja, em pontos de venda da bebida e também em garrafas (lacradas) que estavam em posse de consumidores. 

A corporação detectou que um terceiro lote da cerveja Belorizontina, produzida pela Backer, também está contaminado por substâncias tóxicas. Além da presença do dietilenoglicol - já detectado nos lotes L1 1348 e L2 1348 - este terceiro lote, L2 1354, também teria sido contaminado por monoetilenoglicol.

Os delegados responsáveis pelo caso dizem que ainda não é possível afirmar se foi um erro ou sabotagem. O caso do funcionário que foi demitido da empresa no ano passado e chegou a fazer ameaças à empresa também está sendo investigado. A polícia não descarta nenhuma hipótese.

CASOS SUSPEITOS

Autoridades de saúde contabilizam 10 notificações de pacientes internados que desenvolveram síndrome nefroneural aguda com sintoma iniciados a partir de novembro. Todos consumiram cerveja do rótulo Belorizontina, produzida pela Backer, antes do início dos sintomas. Um deles morreu na terça-feira, dia 7.

ALCANCE TERRITORIAL

Até o momento, casos suspeitos em investigação são de pacientes que têm ligação com o Bairro Buritis: vivem ou estiveram no bairro antes de passar mal. Paciente de Nova Lima foi incluído no grupo pela proximidade da cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte com o bairro da Região Oeste da capital. Mas a última nota técnica da Secretaria de Estado de Saúde não limita a investigação epidemiológica ao bairro e foi emitida para profissionais e serviços médicos de todo o estado. Além da síndrome nefroneural, a definição de caso suspeito inclui o consumo de cerveja da marca Backer.

DOENÇAS DESCARTADAS

Exames laboratoriais realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) para pesquisa de doenças transmissíveis e intoxicação exógena descartaram arboviroses, febres hemorrágicas e infecções bacterianas e fúngicas sistêmicas. Enfermidades neuroinvasivas e outras doenças, como sarampo, hepatites virais, doença de Chagas, HIV, também foram removidas da lista da Funed.

SUBSTÂNCIA TÓXICA

O composto químico dietilenoglicol, cuja ingestão leva a sintomas compatíveis com o quadro clínico apresentado pelos pacientes, foi encontrado em duas amostras da Belorizontina e no sangue de três pacientes. As amostras da cerveja estavam em garrafas lacradas do produto entregues por famílias de pacientes pertencentes a duas linhas do lote 1348 ( L1 1348 e L2 1348), segundo informou a Polícia Civil. Outras amostras desse e de outros lotes da Belorizontina e de outros rótulos da Backer estão sendo analisada.

DISTRIBUIÇÃO

O lote a que pertencem as amostras da Belorizontina contaminadas foi distribuído também para o interior de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Distrito Federal. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou a “fiscalização para a apreensão dos produtos que ainda se encontram no mercado”.

INTERDIÇÃO 

O Mapa determinou ainda a interdição da fábrica da cervejaria Backer. Análises laboratoriais seguem sendo feitas nas amostras coletadas pela equipe de fiscalização das Superintendências Federais de Agricultura. 

COLETA

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte vai receber garrafas de qualquer lote da cerveja Belorizontina em nove pontos diferentes espalhados pela capital mineira, a partir de hoje. Bebidas ficarão sob custódia da prefeitura, que as entregará às autoridades caso seja necessário.

TRATAMENTO

Em nota técnica, a Secretaria de Estado de Saúde determinou protocolo de ações a serem adotadas pelo profissional de saúde quando se depararem com um possível caso da doença. Além de exames laboratoriais iniciais, a pessoa que apresentar os sintomas precisa passar por avaliações oftalmológica e neurológica. O documento indica ainda o uso de etanol como antídoto para frear a intoxicação.

O QUE DIZ A BACKER

Na sexta, o advogado da Backer Estêvão Nejm, a diretora Paula Lebbos e o mestre cervejeiro Sandro Duarte disseram que a empresa não usa o dietilenoglicol em seu processo de produção, mas o monoetilenoglicol (notas fiscais apreendidas pela polícia confirmam compra desse produto), visto por Duarte como menos tóxico. Backer também diz que realiza uma vistoria interna na fábrica interditada e afirma querer uma contraprova dos testes da polícia.

INTOXICAÇÃO

Por que nem todas as pessoas que  consumiram bebida do mesmo lote adoeceram? Isso pode significar que a presença de dietilenoglicol detectada pela polícia  não se repete em todas as garrafas das linhas 1 e 2 do lote 1348 a que pertencem as amostras testadas?

LIGAÇÃO COM O BURITIS

Por que todos os pacientes internados e considerados casos suspeitos pelas autoridades até agora têm alguma ligação com o Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte? 

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Josiel Despachante
AGROCAMPO

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